Apreciações de um alienado acerca do processo eleitoral

Caros amigos:

 

Está mais do que claro que a campanha do PSDB-DEM tem usado com muito sucesso a Internet de forma profissional para disseminar conteúdos apócrifos sem precisar mostrar a cara.

 

Até aí tudo bem. Uma campanha custa caro, e apesar dessa ser uma estratégia imoral é explicável dos pontos de vista racional e cultural. Afinal, o processo eleitoral tem se tornado um “vale-tudo”.

 

Tudo bem também porque supostamente estamos numa sociedade onde os indivíduos são livres (?) e teoricamente poderiam exercitar suas consciências individuais e julgar, refutar ou aprovar propostas de governo e estratégias eleitorais de acordo com a sua apreciação ética.

 

O que não deveria me surpreender (mas ainda me surpreende) é que vários indivíduos, ao verem esses conteúdos apócrifos não se dão ao trabalho de verificar sua procedência e, pior, não se dão ao trabalho de refletir acerca deles.

 

Por conta disso uma porção de indivíduos cegamente passam a endossar uma ideologia que serve quase sempre à outra classe, à outros grupos, enfim, alimentam a sua própria desgraça.

 

Quando isso acontece com pessoas ditas “comuns” não me espanta muito. Afinal, sabemos que a estratégia de dominação preferencial em qualquer sociedade é a dominação Ideológica e no Brasil se faz isso de forma genial.

 

O que me espanta mesmo são alguns colegas professores que se dão a esse trabalho.

 

Tudo bem que esse ou aquele professor tenha seus motivos pra votar no PSDB/DEM. Podem, por exemplo, ser professores simplesmente por missão e assim ganharem a vida com o agronegócio, com a Indústria ou com a aplicação de capital financeiro. Mas em última instância, são professores.

 

Pensava eu no auge da minha loucura que enquanto cidadãos nada os impede de manifestar suas posições no período eleitoral, aliás, isso me parece ser democrático e necessário. Portanto é perfeitamente plausível que ele traga uma porção de elementos racionais que evidenciem a coerência do seu posicionamento e, por consequência, a sua opção por um partido ou por um candidato.

 

Entretanto, me impressiona ver colegas, queridos, que se prestam ao papel de “bucha de canhão” dessa elite reacionária. Vamos a um exemplo:

 

Recebi de um professor do direito (concursado) um desses e-mails mostrando indignação motivada pela suposição de que a candidata Dilma move uma ação contra o Estado Brasileiro - amparada pela lei da anistia. Nesta suposta ação a cidadã peticiona, na forma da lei, uma indenização em função do período em que esteve privada de suas atividades civis por ter sido mantida encarcerada, na condição de presa política durante o período ditatorial.

 

Claro que nem me dei ao trabalho de investigar se o fato é verídico. Não precisava! Não consigo conceber a idéia de que num Estado de Direito burguês um indivíduo deva abrir mão de um direito adquirido por conta de que presta serviço ao Estado.

 

Baseado no precedente sugerido pelo texto fiz a seguinte inferência:

 

Um jovem com 25 anos, solteiro, abriu mão de namorar, de ir à balada, ralou à beça, se tornou um Juiz e ganha 16.000,00. De acordo com a lógica defendida pelo professor de Direito (já que ele repassa o conteúdo sem fazer a crítica) é moralmente injusto que um sujeito, solteiro ganhe tanto dinheiro do Estado para quem ele presta serviço. Logo, deve abrir mão de parte desse direito por uma questão de “amor à pátria”(?) - sei lá!

 

Fico com três impressões: 1) ou o colega leva tudo na brincadeira e assim serve de “bucha de canhão” de interesses alheios ou, na pior das hipóteses, 2) ensina em sala de aula algum tipo de direito que seja alheio ao direito predominante nesta sociedade 3) eu não sou desse mundo.

 

Creio que os colegas ao fazerem, não o façam de forma consciente, afinal tornou-se algo banal "reenviar" e-mails que recebemos diariamente.

 

Daí que utilizo esse espaço para questionar se enquanto professores não teríamos uma responsabilidade maior em relação ao chamado "cidadão comum", até por sermos eventualmente formadores de opnião e se, em razão disso não devêssemos antes de "reenviar" os e-mails, fazer uma crítica acerca da coerência e da veracidade das informações que repassamos.

 

Claro que seria muito interessante que além dos professores, todos nós tivessemos esse cuidado.

 

Não tenho a intenção de doutrinar ninguém, portanto não espero que todos concordem comigo. Minha intenção é apenas suscitar o debate crítico que acredito seja necessário para o amadurecimento democrático da sociedade.

 

Ao ver todo o jogo  eleitoral e suas estratégias de desinformação e despolitização, tanto nos meios de comunicação, quanto na internet me sinto de mãos atadas, sou possuído por uma agonia confessadamente reformista, e fico desesperado para que a pauta do debate passe a ser, por exemplo o pré-sal, a garantia de uma parcela maior do PIB para a educação, outra à saúde...., enfim, coisas que me parecem mais relevantes.

 

Fico esperando, por exemplo, que os movimentos sociais se mostrem mais fortes que a TFP e façam os candidatos assinarem um compromisso de levar adiante o projeto de exploração de petróleo do pré-sal por meio do regime de partilha e que, nesse compromisso fique assegurada a partilha da mesma forma que propõe o projeto enviado pela casa civil ao congresso. Imagino até que poderiam assegurar que o projeto pudesse ampliar a parcela da partilha que garante benefícios à população.

 

Fico também imaginando que independente de quem seja o eleito nesse segundo turno a elite reacionária - branca, sulista, separatista, oligárquica, etc., - venceu essas eleições, mais uma vez!

 

 

Fico também esperando pela revolução burguesa no Brasil para que possamos avançar rumo ao socialismo.

 

 

Bem amigo, talvez agora esteja ficando mais claro o que eu quis dizer no primeiro post onde explico a razão do título que leva o Blog.

 

Pra encerrar o post fica uma reflexão pessoal: "de uma coisa tenho certeza, depois desse blog me restarão poucos amigos" (rs). Deus queira que eu esteja errado!

publicado por O Alienista às 21:58