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Sexta-feira, 15 DE Outubro DE 2010

Dos subterrâneos das eleições 2010.

Eu estava enganado quando em um post anterior disse que não via nada tão terrível desde 89. A coisa é muito pior do que eu pensava. Tirem suas próprias conclusões:
14 de outubro de 2010 às 14:56

A direitona mostra organização para chegar ao poder: “Nossa marca é crise” moral

por Luiz Carlos Azenha

O resultado do segundo turno é uma incógnita. Tudo pode acontecer. O eleitorado já demonstrou, às vésperas do primeiro turno, que é volátil.

Dilma Rousseff chegou a atingir 56% da preferência (no tracking do Vox Populi) faltando duas semanas para a eleição.

Desde então, no entanto, vem caindo. Está claro que o governo, a candidata, os assessores dela e o PT subestimaram a campanha subterrânea movida não somente, mas principalmente através da internet. Uma campanha científica, provavelmente adotada por recomendação do tal consultor indiano, que deixou o Brasil antes que suas digitais fossem parar na Polícia Federal.

As técnicas empregadas pela oposição se parecem muito com as utilizadas pela campanha de John McCain, nos Estados Unidos, contra Barack Obama, como descrevi em artigo de 26 de abril de 2010: objetivam deslocar o eixo do debate do racional para o emocional, estimulando medos, preconceitos e oferecendo um “salvador da pátria”.

Esta campanha continua enquanto você lê este texto. O eixo dela se desloca para assuntos novos, que ainda não foram saturados no bombardeio virtual. De Dilma, a abortista, para a guerrilheira que pede indenização milionária; de Dilma, apoiadora das FARC, para a candidata que é mera figurante de uma profecia segundo a qual ela morre e assume o vice satanista (é a nova, entre os evangélicos).

Esta campanha tem o dom de deslocar o debate das questões que realmente importam para o futuro do Brasil. Leia mais!

publicado por O Alienista às 04:17
Quinta-feira, 14 DE Outubro DE 2010

Neonazistas, uma nova arma contra a Dilma.

Aos que ainda não perderam a capacidade de se estarrecer e aos que gostam de exercitar o espírito investigativo:

 

  Política| 14/10/2010

Dilma é alvo de grupos de extrema-direita e neonazistas

O jornalista Tony Chastinet fez um levantamento minucioso sobre a origem de um dos e-mails caluniosos que circulam contra a candidata Dilma Rousseff (PT). Não precisou de dinheiro, nem de ferramentas especiais. Usou basicamente o “Google”. Gastou alguns minutos e usou a experiência de quem já investigou dezenas e dezenas de picaretas em suas reportagens investigativas. Tony Chastinet descobriu que o email partiu de gente ligada à extrema-direita e a grupos neonazistas. Gente com nome, sobrenome e endereço. O jornalista apresenta as provas.

Rodrigo Vianna/Tony Chastinet

Publicado originalmente no blog Escrevinhador, de Rodrigo Vianna

Não é difícil rastrear os caminhos da boataria que atingiu Dilma Rousseff, poucas semanas antes do primeiro turno. A campanha do PT parece não ter levado a sério a ameaça. E a boataria e as calúnias prosseguem.

O jornalista Tony Chastinet – colega com quem tive o prazer de dividir o prêmio Vladimir Herzog em 2007, e com quem produzi a série de reportagens sobre as centrais clandestinas de tortura durante a ditadura – fez um levantamento minucioso sobre a origem de um desses e-mails caluniosos... leia mais!

 

 

publicado por O Alienista às 20:36
Quinta-feira, 14 DE Outubro DE 2010

Existe vida para além do fundalismo fascista disfarçado de cristianismo.

 
Política| 13/10/2010 | Copyleft
 

Católicos e evangélicos declaram voto em Dilma Rousseff

"Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira", diz manifesto assinado por cristãos católicos e evangélicos. Documento também denuncia campanha de boatos e mentiras que circulam pela internet.

Redação

“Se nos calarmos, até as pedras gritarão!”(Lc 19, 40)

Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da vida em Abundância!

Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas...  leia mais!

publicado por O Alienista às 19:10
Quinta-feira, 14 DE Outubro DE 2010

Recordar é viver!

Me lembro "como se fosse hoje" das leituras que fiz do livro do Biondi sobre o Desmonte do Estado. Achei que NUNCA MAIS fosse ver isso de novo. Hoje já não me espanto se sua santidade o Papa Ratzinger construir uma nova ditadura militar no Brasil em nome da moral e da miséria. Afinal, a miséria educa o espírito e purifica a alma! 
 

O tempo em que Serra era chefe da privatização de Fernando Henrique...

Em abril de 1999, em meio ao obscurantismo do governo Fernando Henrique, surgiu um livro, com apenas 71 páginas, destinado a ficar como uma das grandes obras do nosso país: “O Brasil privatizado – um balanço do desmonte do Estado”.  Seu autor, Aloysio Biondi, jornalista econômico - quando essa expressão não estava associada ao puxa-saquismo mais reacionário e mais estúpido - foi um homem notável, um homem corajoso, que não temia o isolamento dentro da mídia (a rigor, estava se lixando para isso), considerando mais importante a honra do que a honraria, a verdade do que o punhado de dólares.  Assim, fez a dissecção do maior crime da História do Brasil: a privatização, implementada por aquele governo - e seu chefe do programa de privatização, José Serra.
  Biondi era um brasileiro. Era, também, um amigo – um de nossos editores, Luiz Rocha, trabalhou com ele, guardando emocionadas e divertidas recordações do seu então chefe no velho DCI. Uma delas mostra bem o caráter de Aloysio, homem sério no trabalho e de permanente bom humor: “às vezes faltava dinheiro para pagar aos funcionários. Ele, então, usava o dinheiro que ganhava na ‘Folha’, onde era colunista, para dar um vale ao pessoal. E achava que era um bom emprego para esse dinheiro”.
  Aloysio Biondi faleceu há 10 anos, em julho de 2000. Seu livro, já em 11ª reimpressão, com centenas de milhares de exemplares vendidos, pode ser encontrado na biblioteca digital da Fundação Perseu Abramo (
www.fpabramo.org.br).
 

C.L.

ALOYSIO BIONDI

Antes de vender as empresas telefônicas, o governo Fernando Henrique investiu 21 bilhões de reais no setor, em dois anos e meio. Vendeu tudo por uma “entrada” de 8,8 bilhões de reais ou menos – porque financiou metade da “entrada”.
  Na venda do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), o “comprador” pagou apenas 330 milhões de reais e o governo [Marcelo Alencar – PSDB] do Rio tomou, antes, um empréstimo dez vezes maior, de 3,3 bilhões de reais, para pagar direitos dos trabalhadores.
  Na privatização da rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, a empreiteira que ganhou o leilão está recebendo 220 milhões de reais de pedágio por ano desde que assinou o contrato – e até abril de 1999 não começara a construção da nova pista.
  A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi comprada por 1,05 bilhão de reais, dos quais 1,01 bilhão em “moedas podres” – vendidas aos “compradores” pelo próprio BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), financiadas em 12 anos.
  Assim é a privatização brasileira: o governo financia a compra no leilão, vende “moedas podres” a longo prazo e ainda financia os investimentos que os “compradores” precisam fazer – até a Light recebeu um empréstimo de 730 milhões de reais no ano passado. E, para aumentar os lucros dos futuros “compradores”, o governo “engole” dívidas bilionárias, demite funcionários, investe maciçamente e até aumenta tarifas e preços antes da privatização.
  Houve uma intensa campanha contra as estatais nos meios de comunicação, verdadeira “lavagem cerebral” da população para facilitar as privatizações. Entre os principais argumentos, apareceu sempre a promessa de que elas trariam preços mais baixos para o consumidor, “graças à maior eficiência das empresas privadas”. A promessa era pura enganação. No caso dos serviços telefônicos e de energia elétrica, o projeto de governo sempre foi fazer exatamente o contrário, por baixo do pano, ou na surdina.
  Como assim? Antes de mais nada, é preciso relembrar um detalhe importante: antes das privatizações, o governo já havia começado a aumentar as tarifas alucinadamente, para assim garantir imensos lucros no futuro aos “compradores” – e sem que eles tivessem de enfrentar o risco de protestos e indignação do consumidor. Para as telefônicas, reajustes de até 500% a partir de novembro de 1995 e, para as fornecedoras de energia elétrica, aumentos de 150% – ou ainda maiores para as famílias de trabalhadores que ganham menos, vítimas de mudanças na política de cobrança de tarifas menores (por quilowatt gasto) nas contas de consumo mais baixo. Tudo isso aconteceu como “preparativo” para as privatizações, antes dos leilões.
  Mas o importante, que sempre foi escondido da população, é que, em lugar de assinar contratos que obrigassem a Light e outros “compradores” a reduzir gradualmente as tarifas – como foi obrigatório em outros países –, o governo garantiu que eles teriam direito, no mínimo, a aumentar as tarifas todos os anos, de acordo com a inflação. Isto é, o governo fez exatamente o contrário do que jornais, revistas e TVs diziam ao povo brasileiro.  Além dessa garantia de reajustes anuais de acordo com a inflação, os “compradores” das empresas de energia podem também aumentar preços se houver algum “imprevisto” – como é o caso da maxidesvalorização do real ocorrida no começo de 1999...
  O governo e os meios de comunicação sempre esconderam que as metas estabelecidas para os “compradores” das telefônicas somente passariam a valer a partir de... dezembro de 1999. Isto é, na prática, os “compradores” poderiam deixar de atender os consumidores, ou não melhorar substancialmente os serviços, durante todo o segundo semestre de 1998 e o ano inteiro de 1999.
  Foi exatamente essa alegação, a de que as metas valeriam somente a partir de 2000, que a Anatel usou durante quatro meses, de dezembro de 1998 a março de 1999, para não tomar nenhuma providência contra os desmandos da Telefônica em São Paulo.



“PIORA AUTORIZADA”

 

E para a Light e outras empresas fornecedoras de energia elétrica? Aqui, a “bondade” do governo bateu recordes. No caso da Light, o contrato previu – isto mesmo, previu – e autorizou a piora dos serviços, pois permitiu um número maior de blecautes ou “apagões”, e também de interrupções mais prolongadas no fornecimento de energia. Incrível? Pois essa “piora autorizada” foi denunciada antes mesmo da assinatura do contrato com a Light, por uma organização não-governamental do Rio, o Grupo de Acompanhamento Institucional do Sistema de Energia, do qual o físico Luís Pinguelli Rosa é um dos integrantes.
  Como se não bastasse, a multa fixada para as empresas de energia que desrespeitarem até os limites “simpáticos” combinados com o governo é absolutamente ridícula. Quanto?  Apenas 0,1% do faturamento anual. Ou seja, se a Light ou a Eletropaulo ou a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) faturarem 1,2 bilhão de reais em um ano, a multa será de apenas 1,2 milhão de reais... Deu para entender a jogada? Se as empresas privatizadas deixarem de investir 100 milhões, 200 milhões ou 400 milhões de reais para atender os moradores, as indústrias, as empresas de determinada região ou cidade, pagarão apenas 1,2 milhão de reais de multa.... Isso não é multa. É prêmio do governo aos “compradores”.

 

TELES
 


  O caso mais escandaloso de “investimentos para enriquecer os compradores” foi o do sistema Telebrás. Em 1996, o governo duplicou os investimentos nas teles, alcançando 7,5 bilhões de reais, chegou aos 8,5 bilhões de reais em 1997 e investiu mais 5 bilhões de reais no primeiro semestre de 1998, totalizando, portanto, 21 bilhões de reais de investimentos em dois anos e meio. Uma “gastança” ainda mais estranha se lembrarmos que naquela época o Brasil já caminhava para a crise, o que forçou o governo a lançar seu primeiro programa de “ajuste fiscal” em fins de 1997 – levando a violentas reduções nos gastos, inclusive nas áreas da saúde, educação, verbas para o Nordeste etc. Com essa “dinheirama”, o governo ampliou as redes, instalações, estações, cabos, toda a infra-estrutura do sistema telefônico, deixando tudo pronto para as telefônicas chegarem, puxarem as linhas até a casa do freguês e começarem a faturar para seus próprios cofres.  Lucros obtidos com dinheiro nosso. Mas, neste Brasil em que a mentira campeia solta, as empresas “compradoras” dizem, e os meios de comunicação repetem, que os problemas surgidos depois da privatização se devem à “falta de investimentos” no período em que elas eram do governo. A mesma mentira repetida, também, pelos “compradores” das empresas paulistas de energia elétrica já privatizadas...
  O governo Fernando Henrique Cardoso implantou as privatizações a preços baixos, financiou os “compradores”, sempre alegando não haver outros caminhos possíveis. A experiência de outros países, que a equipe de governo conhecia muito bem, mostra que essa argumentação é falsa. Como foi possível ao governo agir com tal autoritarismo, transferindo o patrimônio público, acumulado ao longo de décadas, a poucos grupos empresariais que nem sequer tinham dinheiro para pagar ao Tesouro?
  Houve a campanha de desmoralização das estatais e a ladainha do “esgotamento dos recursos do Estado”. Mais ainda: a sociedade brasileira perdeu completamente a noção – se é que a tinha – de que as estatais não são empresas de propriedade do “governo”, que pode dispor delas a seu bel-prazer. Esqueceu-se de que o Estado é mero “gerente” dos bens, do patrimônio da sociedade, isto é, que as estatais sempre pertenceram a cada cidadão, portanto a todos os cidadãos, e não ao governo federal ou estadual. Essa falta de consciência coletiva, reforçada pelos meios de comunicação, repita-se, explica a indiferença com que a opinião pública viu o governo doar por 10 o que valia 100. Um “negócio da China” que, em sua vida particular, nenhum trabalhador, empresário, nenhuma família de classe média ou o povão aceitariam. Qual seria a reação de qualquer brasileiro, por exemplo, se um vizinho rico quisesse comprar sua casa, que valesse 50 mil ou 100 mil, por 5 mil ou 10 mil? Reagiria violentamente. No entanto, centenas e centenas de bilhões de reais de patrimônio público, isto é, de propriedade dos milhões de brasileiros, foram “vendidos” dessa forma, sem grandes protestos a não ser nas áreas sindicais ou oposicionistas – que, por isso mesmo, tiveram seu espaço nos meios de comunicação devidamente cortado, tornado quase inexistente, nos últimos anos.
  A “doação” do patrimônio público empreendida pelo governo Fernando Henrique Cardoso tem um agravante. O governo já tem dívidas com os trabalhadores, cerca de 50 bilhões a 60 bilhões de reais, representadas pelo dinheiro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS/Pasep (Plano de Integração Social/Programa de Formação de Patrimônio do Servidor Público), que o governo usou para financiar projetos diversos. Se todos os trabalhadores brasileiros fossem sacar seu PIS ou FGTS ao mesmo tempo, descobririam que não poderiam receber, porque está “faltando” aquele dinheiro, utilizado pelo governo. Isto é: quando se diz que o governo deve a cada João, a cada Maria, a cada Antônio, a cada Joana brasileiros, não é mera força de expressão. É a pura verdade. O governo poderia ter finalmente pago essa dívida aos brasileiros, entregando-lhes ações das empresas estatais. Essa hipótese existia no governo Itamar Franco, quando o BNDES planejava privatizar as estatais usando “moedas sociais” (ou seja, FGTS, PIS/Pasep). Com a posse de Fernando Henrique Cardoso e sua equipe, a proposta foi abandonada, para alegria de grupos empresariais.
  O trabalhador brasileiro foi duplamente lesado. Continuou vítima do “calote” do governo, no FGTS e no PIS/Pasep. E ficou sem as estatais, das quais já era dono.
 


O ROMBO
 


  Tudo somado, contas bem feitas mostrariam que as privatizações não reduziram a dívida e o “rombo” do governo. Ao contrário, elas contribuíram para aumentá-los. O governo ficou com dívidas – e sem as fontes de lucros para pagá-las.
Ironicamente, o governo reconheceu isso com todas as letras. Na carta de intenções que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, entregou ao FMI (Fundo Monetário Internacional), inconscientemente, o governo confessa que o equilíbrio das contas do Tesouro ficou mais difícil porque... o governo deixou de contar com os lucros que as estatais ofereciam como contribuição para cobrir o rombo até serem vendidas. Pasme-se, mas é verdade.
  As privatizações não contribuíram, portanto, para reduzir o “rombo” e as dívidas do Tesouro – totalmente atolado, em 1999, com o pagamento de juros na casa astronômica dos 130 bilhões de reais. Uma quantia impagável, já que é praticamente o valor de todo o orçamento da União em 1999 – excluindo-se a Previdência –, no montante de 160 bilhões de reais. Pior ainda: a política de privatizações tampouco desempenhou o outro papel que se anunciava para ela, a saber, o de criar “novos motores na economia”, com a contratação maciça de encomendas nas indústrias do país, graças aos investimentos gigantescos previstos para as áreas de telecomunicações, energia e, em menor escala, ferrovias – além da área petrolífera. Ao contrário: com a conivência e até incentivos do governo, esses setores vêm realizando importações explosivas, “torrando” dólares e ampliando o “rombo” da balança comercial (exportações menos importações). Além disso, os “donos” multinacionais das empresas privatizadas passaram a realizar remessas maciças para o exterior, para seus países, seja como lucros, dividendos, juros ou até como pagamento de “assistência técnica” ou “compra de tecnologia” de suas matrizes. Em lugar de ajudar a tapar o “rombo” externo, a privatização o agravou, e de forma permanente. Como? Decisões do governo que dessem preferência ao produtor local poderiam corrigir distorções e levar à redução nas importações. Mas as remessas às matrizes permanecerão. Para sempre.
  Antes mesmo das privatizações, o governo elevou os investimentos na área de telecomunicações, de 3,5 bilhões para 7 bilhões de reais por ano, como já visto. Apesar dessas cifras, o faturamento dos fabricantes brasileiros recuou, empresas foram fechadas e o desemprego avançou... Razão da contradição? As grandes multinacionais, já existentes ou atraídas para o setor – e beneficiadas, mais uma vez, por financiamentos do BNDES –, passaram a importar maciçamente. Alguns equipamentos de telefonia chegaram a utilizar 97% de peças e componentes importados – e aparelhos celulares de algumas marcas chegam a utilizar de 85% a 100% de peças vindas do exterior; isto é, são apenas “montados” no país.
  Em suas primeiras “concorrências” para a compra de equipamentos, em março de 1999, a Telefônica, compradora da Telesp de São Paulo, não convidou uma única empresa brasileira fabricante de peças e equipamentos para disputar as encomendas. O peso das importações do setor de telecomunicações no “rombo” da balança comercial pode ser avaliado por estes dados: de 1993 a 1998, as compras da área de telecomunicações no exterior aumentaram dez vezes, 1.000%, de 280 milhões de dólares para 2,8 bilhões de dólares, deixando um déficit setorial de 2,5 bilhões de dólares.
  Esses números, ainda por cima, não retratam o verdadeiro tamanho do “rombo” em dólares provocado pelo setor. Por quê?  Há peças e componentes que são classificados como produtos “eletrônicos”, embora na verdade se destinem ao setor de telecomunicações. E, nessa área de eletrônicos, o déficit ganhou dimensões assombrosas, chegando aos 8 bilhões de dólares, com a importação de 11 bilhões de dólares e a exportação de 3 bilhões de dólares. Bom notar: o saldo negativo do setor é superior a todo o “rombo” da balança comercial brasileira, de 6,4 bilhões de dólares. Vale dizer: ele é capaz de devorar o valor das exportações e os saldos positivos de outros setores – sobretudo a agricultura... No frigir dos ovos, as privatizações contribuíram para a “torra” de dólares, o “rombo” nas contas externas e conseqüentes abalos nas cotações do real.
  Qual o tamanho da sangria de dólares provocada pelas remessas às matrizes ou fornecedoras localizadas no exterior? O dado (para todos os setores) é assustador: elas passaram de algo entre 600 milhões e 700 milhões de dólares por ano para atingir a faixa dos 7,8 bilhões de dólares em 1998. Um salto de 1.000%, ou dez vezes maior. O mesmo fenômeno ocorreu com o pagamento de “assistência técnica” e “compra de tecnologia” (manobra usada também para remessa disfarçada de lucros às matrizes), que saltou de 170 milhões de dólares para 1,7 bilhão de dólares, de 1993 para 1998.
  Essas sangrias podiam ser parcialmente compensadas se os “compradores” trouxessem capitais deles próprios, tanto para comprar as estatais, no momento do leilão, como depois, para realizar os investimentos previstos para a “privatizada”. Nem isso acontece, por incrível contradição da política do governo. Nos próprios leilões, em lugar de capitais próprios, os “compradores” tomam empréstimos lá fora, e esses empréstimos são incluídos na dívida externa do país, engrossando também os juros que o Brasil tem de pagar aos bancos internacionais. É o caso da privatizada Vale do Rio Doce, que tomou um empréstimo de 1 bilhão de dólares do National Bank para participar da compra da Light. Ou, o que é mais esdrúxulo ainda: é o caso da própria Light, já privatizada e com a Vale como uma de suas “donas”, que tomou um empréstimo de 1,2 bilhão de dólares para comprar a Eletropaulo, de São Paulo.
  Deve-se lembrar, ainda, que o BNDES, contraditoriamente, passou a financiar parte da “entrada” já nos próprios leilões de compras, além de conceder empréstimos para os projetos executados pelos “compradores”.
  As importações maciças realizadas pelos “compradores” tiveram um efeito mais devastador do que parecia à primeira vista. A compra de peças e componentes no exterior, em substituição à produção local, significou cortes na utilização também de matérias-primas, como plástico, borracha, metais, devastando setores inteiros, fechando fábricas, cortando empregos – isto é, puxando a economia do país para o fosso. Além disso, a própria concentração dos empréstimos do BNDES a esses “compradores” implicou, na prática, em que as demais áreas e centenas de milhares de empresas continuassem às voltas com a falta de crédito.

 

 

* texto recebido por e-mail.

publicado por O Alienista às 18:41
Quinta-feira, 14 DE Outubro DE 2010

Insinuações tucanas ao capital internacional.

Acerca de minhas preocupações no tocante ao destino do Pré-sal, reproduzo abaixo trechos da argumentação de um especialista.

Observação: Mas se for pra vender o pré-sal nas mesmas condições que venderam a Vale e a Telebrás, eu compro tudo. Afinal, não é preciso entrar com nenhum tusta mesmo!

 

Igor Fuser: O projeto entreguista de Serra para o pré-sal

O assanhamento dos tucanos chega ao ponto de David Zylbersztajn, ex-genro de FHC que assessora ao mesmo tempo a campanha de José Serra e multinacionais de energia, inserir uma informação falsa no elogio ao regime das concessões, adotado quando era presidente da Agência Nacional do Petróleo.
por Igor Fuser, para a Carta Maior

Os lobbies conservadores e anti-nacionais reunidos em torno da candidatura de José Serra à presidência já se atrevem a defender sem disfarces um retorno ao entreguismo que marcou a gestão do petróleo brasileiro nos oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso. 

No embalo do segundo turno, os lobbies conservadores e anti-nacionais reunidos em torno da candidatura de José Serra à presidência já se atrevem a defender sem disfarces um retorno ao entreguismo que marcou a gestão do petróleo brasileiro nos oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Eles querem a abertura irrestrita das fabulosas reservas do pré-sal brasileiro, a maior descoberta petrolífera dos últimos trinta anos no mundo inteiro, à voracidade das empresas multinacionais. O assanhamento é tanto que, em entrevista ao jornal Valor, David Zylbersztajn, “assessor técnico” da campanha de Serra para a área de energia, distorceu completamente a realidade dos fatos com um grosseiro erro de informação ao defender que, num eventual governo demo-tucano, a exploração do pré-sal ocorra nos marcos do atual regime de concessões, em escandaloso benefício do capital transnacional.

O argumento apresentado por Zylbersztajn, ex-genro de FHC e presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) quando se realizou o primeiro leilão de reservas brasileiras entregues ao capital estrangeiro, em 1999, tem como foco uma questão contábil. De acordo com ele, o atual regime de concessões é melhor que o de partilha porque que o governo recebe antecipadamente o dinheiro referente ao bônus de assinatura... Para continuar lendo, clique aqui.!

 

Por falar em privatizar, vale a pena ver o Vídeo abaixo. A edição está péssima, mas o conteúdo é elucidativo. Tenho medo das idéias próprias dele!

 


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publicado por O Alienista às 17:29
Quarta-feira, 13 DE Outubro DE 2010

Utilidade pública

Reproduzo abaixo um texto que recebi da colega Gislaine e que, apesar de todo o seu conteúdo ideológico, me parece que serve à reflexão.

 

 

Vou votar no SERRA. “Cansei…Basta”! Vou votar no Serra, do PSDB.

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.
Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.
Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares.
O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega…
Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. ” É uma vergonha!  como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.
Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz.
Vergonha, vergonha, vergonha…
Cansei de ir em banco e ver aquela fila de idosos no Caixa Preferencial, todos trabalhando de office-boys.
Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou “empreendedor” no Nordeste. Pode? Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo,SBT,Band, RedeTV, CNT, Fôlha SP, Estadão, etc.). A coitada da “Veja” passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo.

Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito… Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.
Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula…
Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria (73% da população, hoje, tem casa própria, segundo pesquisas recentes do IBGE). E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles? Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim…
Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase de graça e vender com altos lucros. Chega dessa baboseria politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco… Quem pode, pode, quem não pode, se sacode. Tenho culpa eu, se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça? Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior.
Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no SERRA. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. “Quero minha felicidade de volta.”


Dorisângela Lima
Assistente Social
Especialista em Gestão Pública

publicado por O Alienista às 20:49
Quarta-feira, 13 DE Outubro DE 2010

...

Reproduzo abaixo texto encaminhado pelo amigo e professor Marcelo Cernev acerca das eleições 2010:

 

 

A importância do esclarecimento

 

Prezados alunos, ex-alunos, colegas de trabalho, amigos e a quem mais possa interessar.

Tomo a liberdade de fazer este alerta sobre um processo social nocivo que está ocorrendo em nosso país. Este é um desabafo e também um pedido de ajuda.

 

A política é um elemento fundamental em nossas vidas, mesmo para aqueles que pouco se interessam por ela. Afinal as decisões, os rumos, vários dos elementos norteadores da nossa sociedade são tratados, decididos e implementados através da política e todos nós, invariavelmente, participamos de seus resultados.

 

Meu objetivo com esta mensagem não é convencê-lo a votar em um candidato A ou B. Mas, alertar que a política deve ser um campo de embates de propostas e de projetos para o nosso país e que devemos levar estes elementos em conta na hora de decidir qual é o país que queremos para viver.

 

Tenho recebido inúmeras mensagens eletrônicas relacionadas às eleições presidenciais, certamente você também as recebeu. Não me incomodo com o fato de receber spans, Isto é algo normal na internet e já existem mecanismos bastante eficientes para evitá-los. O que tem me deixado muito incomodado são as tentativas de substituir o embate de ideias e projetos políticos pela veiculação de mensagens que invariavelmente possuem um mesmo núcleo comum: o preconceito e a mentira.

 

Ao invés de expor claramente os motivos pelos quais vota em determinado candidato, ou seja, suas propostas, sua postura em termos de projeto para o país, veiculam-se mensagens através da internet com a intenção de manipular a opinião pública. Já assistimos a este filme antes. A diferença é que antigamente isto acontecia somente em alguns meios de comunicação de massa (TV, jornais e determinadas revistas). Agora esta prática está se difundindo também pela internet.

 

Devemos ter clareza que diante de nos há dois projetos para o Brasil. Creio que todo cidadão tem o direito de fazer sua escolha perante estes projetos e, particularmente, respeito a escolha de cada pessoa em relação aquilo que deseja para o futuro do país e em relação ao caminho que julga ser mais adequado para atingir este objetivo.

 

Porém, nossas decisões quanto ao votar em um candidato A ou B devem estar alicerçadas naquilo que este candidato significa politicamente para nosso futuro. Para isto, precisamos conhecer os candidatos. Digo conhecer, de fato. Não podemos nem devemos aceitar passivamente tudo o que se veicula a respeito deles. Devemos comparar, buscar outras fontes de informação, comparar outros "discursos", outras explicações, seja nos jornais, seja na TV, e mesmo na internet.

 

O Brasil perdeu muito com o período militar, não foram apenas perdas econômicas e sociais, foram perdas políticas, inclusive no que diz respeito ao próprio sentido da política.

 

Superamos aquele período, porém ainda há muita desinformação. Esta tem sido utilizada da maneira mais vil para ocultar os interesses que há por trás do jogo de poder.

 

Quando não se consegue convencer através de argumentos, quando já não se pode utilizar a força física para impor sua visão de mundo e seus interesses particulares, certos grupos recorrem às práticas mais baixas. Passam a veicular mensagens absurdas, que ofendem nossa inteligência, com acusações difamadoras, baseadas em inverdades e em manipulações grosseiras dos fatos, no afã de buscarem seu ideal a qualquer custo.

 

Lembre-se, estamos diante de projetos políticos distintos para o Brasil. Estas mensagens nada mais fazem que tentar desviar nosso olhar do verdadeiro foco em questão.

 

Quando receber novas mensagens como estas desconfie. Procure averiguar a veracidade dos “fatos” e dos argumentos que lhe são apresentados. Precisamos estar esclarecidos em relação a este jogo de forças. Isto, para que a população brasileira consiga romper com a tradição de ser utilizada como massa de manobra, para interesses de certos grupos, que sequer conhece, e que não têm compromisso com o desenvolvimento deste país.

 

Certamente, o preconceito não é o caminho mais adequado para guiar nossa decisão sobre o Brasil que queremos para nós e para nosso filhos. Precisamos ver além dos olhares preconceituosos, analisar as propostas, checar a veracidade do que tem sido veiculado também em relação a elas. Não perder de vista que, quando preferimos certo candidato enquanto “pessoa” em oposição a outra “pessoa” corremos o risco de não levarmos em conta os partidos das quais elas fazem parte.

 

É necessário analisar as posturas, não apenas dos candidatos, mas dos seus partidos, perceber qual é o Brasil que cada um tem buscado, as contribuições que têm dado ao longo dos últimos anos, qual é sua proposta real frente aos graves problemas sociais do nosso pais.

 

Para isto, não basta analisar os discursos, pois muitas vezes eles são tão parecidos! Certamente, agora que estamos no segundo turno, eles estarão cada vez mais próximos. Porém, há outras formas de se identificar os projetos que estão por detrás dos discursos. Cabe a cada um de nós investigá-los, conhecê-los e nos posicionar diante deles.

 

Se ao final deste balanço criterioso e sensato você optar por um projeto ou outro para o Brasil, independentemente de qual seja sua escolha, estaremos realmente fazendo política. Caso contrário, infelizmente ainda estaremos num país marcado pelas manipulações ideológicas e pelos preconceitos, de toda natureza, que são utilizados de maneira tão torpe, para iludir e para impedir o progresso da própria democracia neste pais.

 

Prof. Marcelo Cernev

 

mccernev@yahoo.com.br



publicado por O Alienista às 20:30
Segunda-feira, 11 DE Outubro DE 2010

Eu e as eleições 2010.

É um dado que os indivíduos que se posicionam não conseguem fazê-lo agradando a todos. Uns fazem severas críticas, outros se identificam com eles e outros ainda chegam a por em dúvida a amizade. Coisas da vida! diria o dito popular.

 

O fato é que desde 1989 que não vejo uma eleição como esta. Impressionante como elementos que eu julgava terem sido enterrados nos sepulcros da história ressurgem agora como verdadeiros zumbis e atormentam a pouca inteligência que tenho, me levando à indignação e à necessidade urgente de colocar o meu ponto de vista sob pena de enlouquecer.

 

No afã de tentar clariar meu ponto de vista tenho respondido sistematicamente a uma série de e-mails que invadem minha caixa postal diariamente, mas tudo o que tenho conseguido são interpretações distorcidas acerca do que eu realmente penso. Normal! Afinal, em cada um desses e-mails estou repondendo a questões pontuais e a interpretação acerca de qual é a minha posição acaba ficando oculta.

 

Sendo assim, os primeiros posts do blog, ou até que passe essa eleição, a assunto predominante aqui será a disputa eleitoral. Pretendo tratar de cada um dos pontos que marcam as principais discussões.

 

Tratarei também de tranquilizar alguns queridos amigos que estão achando que virei "casaca" e estou abandonando a "esquerda" ou até mesmo o sonho de se construir uma sociedade mais justa e mais democrática o que - particularmente entendo -  só é possível para além da sociedade burguesa e de sua democracia formal.

 

Inicio explicando o porquê de estar engajado na busca de votos para a candidata Dilma.

 

Já fui filiado ao PT nos antanhos e assim como muitos dos camaradas acreditei até a início da década de 90 que aquele partido carregava em si a potencialidade de aglutinar todas as forças sociais interessadas na construção de uma sociedade que conseguisse avançar para a superação do capital. Entretanto, após algumas vitórias locais (Estados e Municípios) vi algumas mudanças substanciais na composição do partido e passei a questionar seus rumos.

 

Em 2002,  vi um "Lulinha paz e amor", engravatado, barba feita, cabelo baixo, patrocinado por Bancos e apresentando em seu programa eleitoral um homem forte da Febraban (pasmem, Febraban!) acalmando os ânimos da parcela da população que embalada pela doce som da voz Regina Duarte tinha "medo do PT".

 

Naquele momento, esses e outros elementos me levaram a perceber (diferente do que ocorreu com alguns colegas e com uma parte da população que chegou mesmo a dizer que Lula cometeu um estilionato eleitoral) que a estratégia do PT (do PT que havia sobrevivido à debandada geral de militantes aguerridos) havia mudado.

 

Li também a "carta aos Brasileiros" e lá vi que Lula só faria o que realmente fez (e portanto não é estelionato): deixaria um governo em aberto para as disputas das diferentes facções de interesses que compõe a sociedade brasileira. Tentando reproduzir as palavras do candidato Lula naquele momento, lembro que ele dizia: "Nós vamos fazer nesse país um pacto social que nunca antes foi feito". E me parece que foi mais ou menos o que ele fez. Não vou entrar nos detalhes do pacto como por exemplo o atrelamento das centrais sindicais aos interesses do Governo, etc., por  que penso que não é o caso neste momento.

 

Outra coisa importante e que deve ser levada em consideração são as condições sobre as quais Lula recebeu o país em 2003. Ou seja, um país completamente dependente do capital financeiro, sem condições de dar um passo sem as bençãos do FMI e, pior, sem um patrimônio que pudesse utilizar como força econômica para sustentar eventuais mudanças. Me refiro aqui à privataria que o Governo FHC e Serra promoveram a partir da compra, a peso de ouro, de parlamentares, apresentadores de TV e todos aqueles pudessem se opor à sua política entreguista (para entender o processo de DOAÇÃO do patrimônio Brasileiro à iniciativa privada leia O Brasil Privatizado do Jornalista Aloysio Biondi).

 

Ou seja, o Governo Lula não se propôs em nenhum momento a fazer uma revolução e o não o fez.

 

Poderia ter o governo Lula avançado? Certamente! O Governo teve erros? Certamente!

 

Se sei de tudo isso, por que peço votos a Dilma?

 

Peço votos a Dilma por que penso que, se por um lado não avançamos muito em direção a uma sociedade mais plural, mais justa e mais democrática, por outro lado não verticalizamos a via neoliberal e a dependência externa do Brasil.

 

Ou seja, na minha inocência vejo que esse governo manteve o que sobrou do patrimônio público após o desmonte dos Demotucanos e em alguns aspectos fortaleceu o poder do Estado.

 

Aos meus amigos liberais que podem estar me acusando de defender uma heresia ao me referir á necessidade um Estado forte, lembro que na economia burguesa só tem poder político quem  tem poder econômico (aliás, nem inventei isso). Logo, um Estado sem patrimônio vive à mercê dos donos do capital sem ter ao menos o direito de barganhar.

 

De outro lado, a experiência dos Demotucanos tanto na administração Federal quanto nos diversos estados (marcamente em São Paulo) e municípios brasileiros mostram uma obssessão compulsiva pela entrega do patrimônio público e o culto à condição de "vira-lata" do Império (decadente) Americano.

 

Me revolta por exemplo, a possibilidade de pensar que o Pré-Sal, um patrimônio de valor inestimável, deixe de ser regulamentado pelo sistema de partilha como propõe esse governo (Lula) e seja, como pretendem os demotucanos, entregue ao apetite voraz do capital privado, restando à população somente o dever de dividir os custos dos impactos ambientais decorrentes da exploração do petróleo. Um exemplo disso é a situação criada pelo "acidente" ocorrido há pouco no Golfo do México.

 

Eu poderia colocar aqui milhares de questões que me angustiam e me dão a certeza de que,  apesar do discursos acadêmicos acerca da existência ou não de uma "direita" ou de uma "esquerda", temos diante de nós dois projetos distintos de governo e duas concepções distintas de sociedade. Nenhum dos dois me cai bem e certamente não cai bem em você. Mas, definitivamente, não dá pra "colocar tudo no mesmo saco".

 

Um desses projetos representa a volta do neoliberalismo feroz e o outro representa a continuação dessa situação ambigua que combina política economica neoliberal, ações de reforço do poder do Estado e um mínimo de distribuição de renda.

 

Um permite, ao manter o patrimônio do Estado,  que se tenha a esperança de continuar lutando. O outro nos coloca na mesma condição de depência em que estávamos em 2002.

 

Um permite que as crises internacionais (por enquanto) sejam "marolinhas" o outro, nos coloca na rota das "tsunamimes" provocadas pela "orgia" em que consistem as ações do capital financeiro internacional sem rédeas e sem pátria.

 

Talvez para alguns dos meus colegas que têm asseguradas as suas posições nas classes médias isso não tenha muita importância. Mas não tenho dúvida de que para aqueles que até ontem não comiam ou não trabalhavam isso faz uma diferença enorme. Me refiro, por exemplo, àqueles que precisavam pedir esmola na casa do "coronel" e recebiam dele uma cesta básica comprada com o dinheiro da SUDENE, por exemplo.

 

Alguns podem me dizer que a situação não mudou e com o Bolsa-Família a situação continua a mesma e eu sustento que acredito que há uma pequena diferença: hoje a esmola é direito, é oficial e eu não sou mais obrigado a votar no coronel, nem chamá-lo pra apadrinhar o meu filho.

 

Muda pouca coisa? concordo! mas é uma mudança. Tanto que agora o "novo coronel", o Lula, luta com todas as forças pra fazer sua sucessora.  Se a esmola fosse buscada em sua porta bastaria ele dar uma ordem e a sucessão aconteceria.

 

Olhemos ainda para as micromudanças que me parecem ser realmente as marcas mais significativas desse governo. Me refiro ao microcrédito, aos financiamentos sem precedentes para agricultura familiar (aquela que nos alimenta), à profissionalização da Assistência Social por meio da criação dos CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) e outras tantas micropolíticas conquistadas a duras penas pelos movimentos sociais que atravessaram as barreiras desse governo.

 

Enfim caros colegas pra não ficar ainda mais enfadanho o texto, encerro por aqui esse primeiro post sobre eleição e me comprometo a trabalhar temas definidos nos próximos textos para que assim possa ser mais objetivo e menos cansativo.

 

 

 

Serra X Dilma

publicado por O Alienista às 17:16
Segunda-feira, 11 DE Outubro DE 2010

Porquê o blog e porquê "O Alienista".

Caros amigos a amigas:

 

É muito comum eu me sentir angustiado com alguns temas que pautam a vida social e, por sentir a falta de espaços possam disseminar tais angústias,  acabo guardando-as só para mim (o que os médicos diriam que não faz bem à minha saúde. rs.).

 

Alguns colegas podem dizer: "vivemos num país onde há liberdade de expressão e de imprensa, portanto, você pode se valer dos jornais e das outras mídias que existem na sociedade que, aliás, quase sempre são concessões públicas".

 

Pois é! já fiz isso algumas vezes, mas nem sempre o tempo que gastei redigindo textos e adaptando-os ao número de caracteres exigidos pelos jornais valeu a pena. Em outras palavras, não podemos nos esquecer que a liberdade de expressão e de imprensa nesse país é restrita a 4 ou 5 famílias em âmbito nacional e no âmbito local a um ou dois políticos que quando não são proprietários ao menos exercem o controle desses meios. Em função disso, claro, meus textos nos jornais só são publicados quando é de interesse dessas nobres famílias.

 

O nome "O Alienista" é uma singela homenagem a Machado de Assis por sua obra que leva o mesmo título. Desde que li a obra, ainda na pré-adolescência, me identifiquei deveras com o personagem principal, o médico Simão Bacamarte.

 

Para os que não leram a obra, Simão era um psiquiatra que recolhia em seu manicômio todos os indivíduos que não pensavam como ele. Lógico que isso não era feito indiscriminamente, pelo contrário, o nobre médico sofria grandes pesares ao fazê-lo, sendo que toda ação era resultado da aplicação dos mais rigorosos métodos científicos. Acontece que chega a um ponto (e esse é o ponto em que me encontro desde que li a obra) em que Simão Bacamarte, percebendo que todos eram diferentes dele e - reforçando - por ser extremamente criterioso na abservação do método científico, acaba não tendo dúvidas: "se todos são diferentes de mim, se todos pensam diferente de mim, não há outra alternativa senão abrir as portas do manicômio, libertar toda a população de internos e enfurnar-se em uma das celas por tempo indeterminado".

 

Até agora estive preso na cela dos meus pensamentos, no entanto resolvi me libertar e expor minhas elucubrações neste espaço.

 

No mais, o blog pretende ser um espaço onde me proponho a lutar contra a minha auto-indisciplina  e postar regularmente textos que contenham assuntos que dizem respeito à questões sociais candentes, as quais não tenho a oportunidade de tratar nem em sala de aula em função do "currículo", nem com os amigos por não termos a oportunidade de estarmos o suficiente com cada um deles.

 

Finalmente, o blog é comemorativo ao espaço que a Internet, essa ferramenta poderosa nos proporciona (por enquanto???) para poder nos expressar. Tomaremos sempre muito cuidado com a censura que, claro,  não existe e não pode ser aplicada ao PIG (Partido da Imprensa Golpista), mas que certamente existe e é indubitavelmente aplicada em favor dele.

 

Os colegas e as colegas que tiverem a paciência de ler, por favor, fiquem à vontade para deixar suas opiniões nos comentários que deverão ser lidos por mim e certamente serão objeto de minhas reflexões.

 

Abraço a todas e a todos e sejam bem vindas e bem vindos a esse espaço!

 

P.S. Os que tiverem interesse em receber em seus e-mails as atualizações do blog, por favor inscrevam-se.

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publicado por O Alienista às 11:30

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